sábado, 3 de outubro de 2009

Poema de Sete Faces

Quando nasci,um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse:Vai,Carlos!ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás das mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna,meu Deus,

Porém meus olhos
nãoperguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério,simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos,raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus,por que me abondonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamase Raimundo
seria uma rima,não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

ANDRADE,Carlos Drummond de.Poesia e prosa.Rio de Janeiro:Aguilar,1978.

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